Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Um Dia De Angústia.

 

 

 

 

Último dia do mês. Último dia de trabalho. E um dia de coração partido.

 

Continuo sem saber qual vai ser o meu futuro no colégio. Se sou eu que vou ficar a ensinar o inglês do 1º ciclo também ou se vou apenas ficar com o pré-escolar. E esta incerteza está a causar-me uma angústia inimaginável.

 

Não consigo desligar-me das minhas crianças (já sabem que sou um coração mole), com as quais tenho uma ligação muito especial. E os pais sabem disso.

Não estou a conseguir cortar o cordão umbilical que só nos deveria separar quando eles saíssem do 4º ano. Como irão reagir as minhas crianças quando virem que não sou eu a dar-lhes aulas, a proporcionar-lhes aprendizagens brincando, e apanharem com um director que tem mais que fazer e que vai para ali despejar matéria como se eles fossem pequenos adultos? Isto é, se conseguir dar as aulas…

E não estou a inventar nada, estou apenas a reportar-me a relatos de alunos que o tiveram como professor. Pior ainda, não tem especialidade nenhuma para dar 1º ciclo e está desactualizadíssimo!

 

E ainda mais triste fico ao pensar na forte possibilidade de não ser eu a iniciar a minha priminha B. na língua inglesa, pois vai para o colégio este ano frequentar o 1º ano. A minha B. e todas as outras crianças que eu já conheço há muito e sempre estiveram muito ansiosas por aprender inglês comigo…

 

Como se não bastasse o desânimo que estas situações me vêm trazendo, recebi uma notícia de uma das minhas melhores amigas que me caiu como uma bomba.

Resolveu sair do actual emprego – onde estava a viver uma situação insustentável – para ir trabalhar para uma das regiões de França onde abunda gente VIP e com uma forte componente turística.

Mas o pior é que vai trabalhar para uns russos que não conhece e nem sabe exactamente o que vai fazer.

 

Já lhe disse que admiro a coragem dela pois eu não a tenho. Ir para um país estrangeiro sozinha, onde não tem ninguém conhecido e onde lhe arranjaram um trabalho. Sim, porque ela nem sequer falou com os futuros patrões. Isto assusta-me e muito. Mas eu sou um coração muito mole e jamais seria capaz de abandonar os meus pais velhotes para ir trabalhar para fora do país. E muito menos ainda sabendo que poderia nunca mais ver o meu pai ou a minha mãe devido aos seus problemas de saúde que implicam alguma gravidade.

 

Hoje é mesmo um dia para esquecer. Parece-me que a minha insónia desta noite estava já a indiciar-me alguma coisa. Ai este meu sexto sentido…!